quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sem patria!

... sem territorio,  sem casa, cansado dos anos e da mala no carro. Levo um armario  e minha patria é movel, tem 4 rodas. Como pode viver um homem sem territorio de casa em casa? Não pode, ninguem pode, nem eu! Vivo e vivo por ai de casa em casa e não chego nunca a minha casa  porque nao tenho casa, apenas carro e uma mala  sempre pronta. Me falta o chão,  o fechar a porta e a sensação  de quem chega em casa, coisa dos que tem casa, não coisa minha,  porque nao tenho mais casa. Triste fim dos que não tem casa, dos que perambulam por ai como eu. Esses são  sentimentos dos meus dias  dificeis e não me cobrem nada porque ja nao devo nada  a ninguem,  apenas a mim: uma casa!. Continuo em divida sem poder ser cobrado,  me falta casa,  endereço de cobrança.   A divida,  é comigo mesmo,  sou   meu proprio endereço, resido em mim mesmo, sou minha propria casa!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nesse lugar...

... aqui se derramam as cores e as dores de uma vida.
As cores? ah! isso depende muito, elas alternam com o momento.
Sobre as dores? Complicadissimo esse assunto,
são mutaveis,  desaparecem por tempos
como se nunca tivessem existido,
danadas, elas me enganam nos dias de alivio,
depois aparecem sem ser chamadas,
fogem ao controle,
quem sou eu para controlar elas?
Desgraçadas tem vida propria, traiçoeiras esperam o momento,
atacam sem pena,
detonam os momentos
embaçam as cores,
as cores de uma vidaja desbotadas,
nem o vinagre realça mais...










.

Domingo em transito!

Quinta-feira é dia de ida,
domingo, dia de volta.
Sou eterno passageiro.
Passaporte vencido,
não preciso de visto,
ja sou  conhecido,
nos lugares onde chego.

Tem dias!

... dias que não sei de mim, a temperatura e a luz me transportam para outros tempos, me encontro em transito,  nem hoje nem ontem,  sem data,  sem localização. Homem  sem territorio, errante de sensações,  desejo uma nacionalidade que não encontro para aplacar o estado flutuante da alma. Os pés  parecem não tocar  o chão.   Não existem mais pés ou teimo em ter eles e chão? Preciso de chão? Preciso ter pés? Mesmo? Já não sei mais responder  para que serve o corpo frente a intensidade das sensaçãoes  mais vivas que a materia.   A respiração é curta, as pernas doem,  os braços são dormentes, o corpo é dor que desejo me desfazer. Não quero mais corpo nem dor.  Estranhos dias,  que estranham  recorrentes  sensaçãoes. Andando pelas ruas o passo é lento a alama é velha.  O olhar contempla  pessoas e  carros, passo por eles e por tudo, sou invisivel  nesse momento. Sem corpo entre os visiveis caminho    me  pensando oculto entre os visiveis  que transitam. Recuso ser objeto do olhar alheio denunciando minha alma sem patria, sem tempo e sem territorio apenas nesses dias estranhos.   Sim, não todos os dias!  Não quero ser sabido como o estranho que desfila pelas ruas,  não quero a publicidade estranha do estranho de certos dias despido na ponta do olhar alheio,  prefiro a fantasia de ser o corpo sem orgãos invisivel. Cada um com seu cada um...