Resolveu chover!
O tempo resolveu que ia chover nessa quarta feira, foi decisão irrevogável. Acordou as 5h no seu quarto azulado do velho apartamento situado no bairro da Urca. O barulho da chuva foi maior que o despertador. Abriu os olhos, pensou em não sair para trabalhar. Afinal, quem sairia de casa nessa manha de chuva intensa e ventos fortes nesse Rio de Janeiro sempre ensolarado? Tentava se convencer de que o melhor seria desligar o despertador, virar para o lado, fechar os olhos embalando o sono que ainda persistia. Era questão de segundos e pronto: sono profundo. Errou, os pensamentos não paravam, conciliar o sono, impossivel, até das galochas da infancia se lembrava, das manhas de chuva, a casa da infancia, a graça que era sair nos dias de chuva de galocha e guarda chuva rumo ao colégio. Os dias de chuva da infancia tinham a graça da casa fechada, escura, as brincadeiras de descer a escada enrolado no edredom de seda vermmelho e dourado. Melhor era o sentimento de proteção que tudo aquilo produzia. Se chuva forte caia, não se ia a escola, era passar o dia distraido, ocupado de brincadeiras. A casa antiga de altos e baixos era aconchegante, o sentimento de proteção e segurança sustentava a infancia tranquila e os dias passavam serenos, calmos. Era um tempo feliz, aqueles dias que hoje a saudade e a nostalgia invadem mas incompativeis com o presente, não permitem mais um dia de chuva dentro de casa com a despreocupação daqueles tempos. Os dias de chuva de hoje não me permitem mais a tranquilidade de ficar em casa, não há mais o menino em mim, somente a lembrança dos dias de chuva, daquela infancia que se foi, dos anos de 1950 onde tudo era tranquilo e seguro. Saudade daquela casa, daqueles anos, daquele tempo. Saudade de uma segurança que esses tempos não permitem...ah se eu pudesse voltar no tempo! Só em lembranças e nada mais! Levantei as 5:20h, tomei banho, café da manha, vesti a roupa de trabalho, saquei da minha pasta, abri a porta, desci a escada do predio, abri a porta, chovia e ventava forte. Parado na portaria olhando o que ia enfrentar, vesti a jaqueta, abri o guarda chuva e aqui estou no consultorio esperando o primeiro paciente do dia que sucumbiu a chuva, embaixo do cobertor, faltou a consulta. Eu, ao contrario, aqui estou, adulto forte, encarei a chuva, cumpri minha parte nessa agenda dos dias desses tempos, dos dias da minha vida! Aqui estou, firme e forte para um dia de trabalho que os dias da minha infancia me prepararam. Sim, acabou a brincadeira, é vida de adulto e infancia nos fins de semana! Fui!
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Domingos e segundas feira já não são os mesmos após esses quase 4 meses. A partida dela deu a esses dias um outro significado. Marcou esses dias com sabor de despedida, despedida sem retorno. A imagem mental esta perdida, irresgatável na memoria. Olhar a fotografia não resolve, parece distante, léguas. Não consigo proximidade, é longe a sensação de quem foi tão próxima, estranho, indecifravél essa sensação. Tento reve la, não consigo, as fotos não cooperam. O cheiro do perfume ainda é eficaz, quase me mata. É o cheiro dela. Falta ela nesse mes de setembro como nos outros. Nesse em especial. Sobramos 3, falta sempre ela na mesa, nas festas e nas nossas vidas. As noites são de sono agitado e os pesadelos revelam o sonhador triste que me tornei. Momentos de alegria existem, são raros porem não plenos, pequenas tréguas da existencia para aliviar um pouco a saudade dela que persiste, pano de fundo das nossas vidas. Os aniversarios aconteceram sem ela, faltou a presença ruiva, branca, os olhos vivos que suportaram o sofrimento que nunca teve cara nem olhos. Em relação a falta, é indisfarçável, inexiste e não tem remédio. O convivo com ela se impoe e quanto a isso, não há o que fazer, somente sobrevivier, é imposição da vida, regra dura essa chamada morte. Finitude inevitável, contingencia desgraçada e certeira que nos surpreende na travessia da vida e nos deixa revel. Sim, sobrevivi a essas duas semanas de festa, dentro de mim não era festa, era saudade e falta. Acordei hoje, segunda feira inteiro, me colei durante a noite, juntei meus pedaços e acordado estou nessa manha pronto para mais uma semana dessa vida que vou levando sem saber bem pra onde ir. Sei que caminho e tenho rumo, apenas não sei onde chegarei nessa vida, sei apenas que como ela, acabarei um dia, não sei que dia. A unica certeza dessa vida nos oculta a data, a hora e o dia. Que ironia! Vou nessa...trabalhar !
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