quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Resolveu chover!
O tempo resolveu que ia chover nessa quarta feira, foi decisão irrevogável. Acordou as 5h no seu quarto azulado do velho apartamento situado no bairro da Urca. O barulho da chuva foi maior que o despertador. Abriu os olhos, pensou em não sair para trabalhar. Afinal, quem sairia de casa nessa manha de chuva intensa e ventos fortes nesse Rio de Janeiro sempre ensolarado? Tentava se convencer de que o melhor seria desligar o despertador, virar para o lado, fechar os olhos embalando o sono que ainda persistia. Era questão de segundos e pronto: sono profundo. Errou,  os pensamentos não paravam, conciliar o sono,  impossivel, até das galochas da infancia se lembrava, das manhas de chuva, a casa da infancia, a graça que era sair nos dias de chuva de galocha e guarda chuva rumo ao colégio. Os dias de chuva da infancia tinham a graça da casa fechada, escura, as brincadeiras de descer a escada enrolado no edredom de seda vermmelho e dourado. Melhor era o sentimento de proteção que tudo aquilo produzia. Se chuva forte caia, não se ia a escola, era passar o dia distraido, ocupado de brincadeiras. A casa antiga de altos e baixos era aconchegante, o sentimento de proteção e segurança sustentava a infancia tranquila e os dias passavam serenos, calmos. Era um tempo feliz, aqueles dias que hoje a saudade e a nostalgia invadem mas incompativeis com o presente,   não permitem mais um dia de chuva dentro de casa com a despreocupação daqueles tempos. Os dias de chuva de hoje não me permitem mais a tranquilidade de ficar em casa, não há mais o menino em mim, somente a lembrança dos dias de chuva,  daquela infancia que se foi, dos anos de 1950 onde  tudo era tranquilo e seguro. Saudade daquela casa, daqueles anos, daquele tempo. Saudade de uma segurança que esses tempos não permitem...ah se eu pudesse voltar no tempo! Só em lembranças e nada mais! Levantei as 5:20h, tomei banho, café da manha, vesti a roupa de trabalho, saquei da minha pasta, abri a porta, desci a escada do predio, abri a porta, chovia e ventava forte.  Parado na portaria olhando o que ia enfrentar, vesti a jaqueta, abri o guarda chuva e aqui estou no consultorio esperando o primeiro paciente do dia que sucumbiu a chuva, embaixo do cobertor,  faltou a consulta. Eu, ao contrario, aqui estou, adulto forte, encarei a chuva, cumpri minha parte  nessa agenda dos dias desses tempos, dos dias da minha vida! Aqui estou, firme e forte para um dia de trabalho que os dias da minha infancia me prepararam. Sim, acabou a brincadeira, é vida de adulto e infancia nos fins de semana! Fui!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Domingos e segundas feira já não são os mesmos após esses quase 4 meses. A partida dela deu a esses dias um outro significado. Marcou esses dias com sabor de despedida, despedida sem retorno. A imagem mental  esta perdida, irresgatável na memoria. Olhar a fotografia não resolve, parece distante, léguas. Não consigo proximidade, é longe a sensação de quem foi tão próxima, estranho, indecifravél essa sensação. Tento reve la, não consigo,  as fotos não cooperam. O cheiro do perfume ainda é eficaz, quase me mata. É o cheiro dela. Falta ela nesse mes de setembro como nos outros. Nesse em especial. Sobramos 3, falta sempre ela na mesa, nas festas e nas nossas vidas. As noites são de sono agitado e os pesadelos revelam o sonhador triste que me tornei. Momentos de alegria existem, são raros porem não plenos, pequenas tréguas da existencia para aliviar um pouco a saudade dela que persiste, pano de fundo das nossas vidas. Os aniversarios aconteceram sem ela, faltou a presença ruiva, branca, os olhos vivos que suportaram o sofrimento que nunca teve  cara nem olhos. Em relação a falta,  é indisfarçável, inexiste e não tem remédio. O convivo com ela se impoe e quanto a isso,  não há o que fazer, somente sobrevivier, é imposição da vida, regra dura essa chamada morte. Finitude inevitável, contingencia desgraçada e certeira que nos surpreende na travessia da vida e nos deixa revel. Sim, sobrevivi a essas duas semanas de festa, dentro de mim não era festa, era saudade e falta. Acordei hoje, segunda feira inteiro, me colei  durante a noite, juntei meus pedaços e acordado estou nessa manha pronto para mais uma semana dessa vida que vou levando sem saber bem pra onde ir. Sei que caminho e tenho rumo, apenas não sei onde chegarei nessa vida, sei apenas que como ela,  acabarei um dia,  não sei que dia. A unica certeza dessa vida nos oculta a data, a hora e o dia. Que ironia! Vou nessa...trabalhar !

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sem patria!

... sem territorio,  sem casa, cansado dos anos e da mala no carro. Levo um armario  e minha patria é movel, tem 4 rodas. Como pode viver um homem sem territorio de casa em casa? Não pode, ninguem pode, nem eu! Vivo e vivo por ai de casa em casa e não chego nunca a minha casa  porque nao tenho casa, apenas carro e uma mala  sempre pronta. Me falta o chão,  o fechar a porta e a sensação  de quem chega em casa, coisa dos que tem casa, não coisa minha,  porque nao tenho mais casa. Triste fim dos que não tem casa, dos que perambulam por ai como eu. Esses são  sentimentos dos meus dias  dificeis e não me cobrem nada porque ja nao devo nada  a ninguem,  apenas a mim: uma casa!. Continuo em divida sem poder ser cobrado,  me falta casa,  endereço de cobrança.   A divida,  é comigo mesmo,  sou   meu proprio endereço, resido em mim mesmo, sou minha propria casa!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nesse lugar...

... aqui se derramam as cores e as dores de uma vida.
As cores? ah! isso depende muito, elas alternam com o momento.
Sobre as dores? Complicadissimo esse assunto,
são mutaveis,  desaparecem por tempos
como se nunca tivessem existido,
danadas, elas me enganam nos dias de alivio,
depois aparecem sem ser chamadas,
fogem ao controle,
quem sou eu para controlar elas?
Desgraçadas tem vida propria, traiçoeiras esperam o momento,
atacam sem pena,
detonam os momentos
embaçam as cores,
as cores de uma vidaja desbotadas,
nem o vinagre realça mais...










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Domingo em transito!

Quinta-feira é dia de ida,
domingo, dia de volta.
Sou eterno passageiro.
Passaporte vencido,
não preciso de visto,
ja sou  conhecido,
nos lugares onde chego.

Tem dias!

... dias que não sei de mim, a temperatura e a luz me transportam para outros tempos, me encontro em transito,  nem hoje nem ontem,  sem data,  sem localização. Homem  sem territorio, errante de sensações,  desejo uma nacionalidade que não encontro para aplacar o estado flutuante da alma. Os pés  parecem não tocar  o chão.   Não existem mais pés ou teimo em ter eles e chão? Preciso de chão? Preciso ter pés? Mesmo? Já não sei mais responder  para que serve o corpo frente a intensidade das sensaçãoes  mais vivas que a materia.   A respiração é curta, as pernas doem,  os braços são dormentes, o corpo é dor que desejo me desfazer. Não quero mais corpo nem dor.  Estranhos dias,  que estranham  recorrentes  sensaçãoes. Andando pelas ruas o passo é lento a alama é velha.  O olhar contempla  pessoas e  carros, passo por eles e por tudo, sou invisivel  nesse momento. Sem corpo entre os visiveis caminho    me  pensando oculto entre os visiveis  que transitam. Recuso ser objeto do olhar alheio denunciando minha alma sem patria, sem tempo e sem territorio apenas nesses dias estranhos.   Sim, não todos os dias!  Não quero ser sabido como o estranho que desfila pelas ruas,  não quero a publicidade estranha do estranho de certos dias despido na ponta do olhar alheio,  prefiro a fantasia de ser o corpo sem orgãos invisivel. Cada um com seu cada um...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vida?

Decididamente aos 56 constatou que a vida não havia dado certo. Todas as tentativas foram por agua abaixo. Eram periodos  mais tranquilos quase que como prenuncio de tempos dificeis. Não era vida, era uma gangorra, um sobe e desce esgotante. Tinham dias de profunda banalidade em que as esperanças sucubiam. O corpo sentia, a cabeça esgotada pedia um fim. Queria uma estabilidade, namorava essa possibilidade sem no entanto nunca  realiza-la. Chegava ao topo com a certeza  de que logo estaria no solo,  apenas questão de tempo e o tempo passava rápido deixando dos bons tempos apenas nostalgia. Haviam pequenos bons tempos, pequenos apenas.  Era como uma   condenação a essa alternancia, esse era o tom da insuportavel vida. Namorava a morte como a possibilidade de desembarcar desse destino  traçado em sulcos fundos,  eram trilhos dos quais não se podia desviar o caminho.  Tentava descarrilhar, não conseguia. Destino? Não sabia. Praga? Não podia ser, de quem seria? Era condenação, estava assim previsto para aquela vida, pena perpetua de sofrimento. E fazia de tudo, e partia para tudo e não chegava a lugar estavel, . estabilidade não conhecia, vivia o que é ser humano na sua instabilidade maxima. Namorava a estabilidade dos objetos, ansiava por ser coisa no mundo, não conseguia. Constatação terrivel detonava os dias sem esperança. Não via saida,  apenas aquela definitiva. Largar essa condenação, esse destino traçado, era desgraçado a revelia dessa condenação?   Qual seria o delito cometido? Ter nascido? Parece que sim...custava acreditar, não soube fazer da vida uma boa vida...triste fim desse condenado.