terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vida?

Decididamente aos 56 constatou que a vida não havia dado certo. Todas as tentativas foram por agua abaixo. Eram periodos  mais tranquilos quase que como prenuncio de tempos dificeis. Não era vida, era uma gangorra, um sobe e desce esgotante. Tinham dias de profunda banalidade em que as esperanças sucubiam. O corpo sentia, a cabeça esgotada pedia um fim. Queria uma estabilidade, namorava essa possibilidade sem no entanto nunca  realiza-la. Chegava ao topo com a certeza  de que logo estaria no solo,  apenas questão de tempo e o tempo passava rápido deixando dos bons tempos apenas nostalgia. Haviam pequenos bons tempos, pequenos apenas.  Era como uma   condenação a essa alternancia, esse era o tom da insuportavel vida. Namorava a morte como a possibilidade de desembarcar desse destino  traçado em sulcos fundos,  eram trilhos dos quais não se podia desviar o caminho.  Tentava descarrilhar, não conseguia. Destino? Não sabia. Praga? Não podia ser, de quem seria? Era condenação, estava assim previsto para aquela vida, pena perpetua de sofrimento. E fazia de tudo, e partia para tudo e não chegava a lugar estavel, . estabilidade não conhecia, vivia o que é ser humano na sua instabilidade maxima. Namorava a estabilidade dos objetos, ansiava por ser coisa no mundo, não conseguia. Constatação terrivel detonava os dias sem esperança. Não via saida,  apenas aquela definitiva. Largar essa condenação, esse destino traçado, era desgraçado a revelia dessa condenação?   Qual seria o delito cometido? Ter nascido? Parece que sim...custava acreditar, não soube fazer da vida uma boa vida...triste fim desse condenado.

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