sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Noite de sexta

Cauby cantando com Angela na vitrola. Onde anda você? Onde ando eu nessas horas? Não imagino! Estou aqui, em muitos lugares, em todos os lugares  possiveis. A minha presença fisica não determina onde estou, de modo algum. Sou até presença ausente! Fui sem ir a lugares e cerimonias. Lembraram de mim na minha ausencia, então, estive presente!  Eu estou em todos os lugares e estou aqui. Coisa truncada essa, linguagem complicada que sugere mas não diz e diz porque sugere e sugerindo diz.  Fala na intenção,  brinca com ela. Engana a quem quer se enganar, somente a esses, no mais - não engana. Corpo sem orgão, presença imaterial nos lugares do pensamento e da lembrança alheia. É possivel estar  presente em lugares que alguém gostaria que você estivesse mas você nem sabe disso e acaba sendo presença sem se saber presente. Acontece! O desejo da sua presença  furta seu desejo, é desejo alheio, apropriação de nós por alguem. A lembrança do outro é captura de nós  independente do saber e do consentimento nosso. Isso é  como  furtar a existencia do outro em proveitoo proprio. A lembrança pratica uma interpretação do que seja o outro, molda-o ao proprio desejo de que ele exista a seu  modo. Sua singularidade desafia compreender ou rejeitar o que não é idêntico. Narciso acha feio aquilo que não é espelho,  ou se afoga nele de tanto buscar  identidade fora de si. Conviver com o diferente, o que escapa a igualdade e instaura a existência  como  diferença. Onde andam as almas gemeas, aquelas duazinhas iguais que todos procuram? Onde anda você? Quem sabe disso? Ninguem sabe onde anda ninguem,  porque ninguem esta fisicamente num lugar sem no entanto poder estar em outros. Cauby continua perguntando a Angela, mas essa resposta ai é complicada. Deixa pra lá! Xangai

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